La Película: De tensão política e golpe a série ‘House of Cards’ entende muito bem

frankunderwood-fu-640x480

Os “memes” que circulam na Internet não mentem: entre escândalos de corrupção no Brasil, e tentativas de golpe e impeachment, quem tem sido muito comparado aos políticos brasileiros é o personagem Frank Underwood, da série assinada pelo serviço de streaming norte-americano Netflix. A nova temporada de “House of Cards”, na qual Frank é o protagonista, estreou no dia 4 de março, lançando todos os episódios de uma vez. Tivemos tempo de assistir, apreciar e constatar a genialidade da série, e também sua contemporaneidade.

“House of Cards” mostra os bastidores da ambiciosa e perigosa escalada de Frank Underwood e sua esposa Claire Underwood rumo à presidência dos Estados Unidos. Frank é um jogador político nato, que vai galgando passo a passo uma carreira de golpes e artimanhas, que incluem a derrubada de um presidente em exercício (lembra de alguém?), a inserção de sua mulher na cadeira majoritária da ONU (Organização das Nações Unidas), entre outras maquinações. Mas Frank fracassa em governar, pois em suas mãos muita coisa dá errado. Sua sede de poder o leva, no final da terceira temporada, a travar uma guerra com a própria esposa.

Mas na quarta temporada o nível da guerra é outro, e começa dentro do casamento dos protagonistas. Na primeira metade ele e Claire se concentram em derrubar sumariamente um ao outro, através de planos que envolvem golpes políticos e brigas muito feias entre marido e mulher. Mas diante de um adversário mais forte, um candidato à presidência jovem e nada bobo, decidem se unir. Frank chegou à presidência dos Estados Unidos, mas não é bem quisto. Agora, começa a campanha em busca de uma eleição e ele continua sendo o mestre do crime, nunca descoberto, sempre agindo atrás e na frente das câmeras.

A série continua genial também em seu enredo ágil, cru e extremamente perturbador. Enxergar o poder de perto dá nessa sensação de desconforto para o espectador. David Lynch continua genial em sua direção e em sua fotografia fria e surpreendente. “House of Cards” enche os olhos com sua estética arrojada, e nesta temporada isso não muda.

Assistir “House of Cards” no momento em que o Brasil se encontra, de tensões variadas, acusações de golpe e o sorriso forçado de políticos de dois lados, chega a ser assustador. Dá para se constatar que poucas vezes o cinema mostrou tanta afinidade com a realidade. Pelo menos a nossa. Resta saber quem é o Frank Underwood tupiniquim.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *